
1937 — 2027 · Exposição histórica digital
Putinga — Especial de 90 Anos
Em 16 de agosto de 2027, completam-se 90 anos da queda observada do meteorito Putinga, no Rio Grande do Sul, Brasil. Este espaço reúne reproduções de documentos e imagens históricas para preservar a memória do acontecimento. Putinga continua sendo a maior queda observada de meteorito registrada no Brasil.
Acervo documental em organização. Datas e identificações dos periódicos seguem os arquivos recebidos e estão sujeitas à conferência nas fontes originais.
A queda de 1937
O meteorito Putinga é classificado como condrito ordinário L6. Sua queda foi observada em 16 de agosto de 1937, no Rio Grande do Sul. A cobertura dos jornais da época constitui uma parte importante da documentação histórica do acontecimento.
Esta exposição apresenta as fontes documentais separadamente de interpretações posteriores, permitindo que os visitantes consultem os próprios registros.
Arquivo de imprensa · Agosto de 1937
Jornais da época
Os jornais históricos apresentados nesta seção foram localizados por Emanuel Foglietto em 2021, durante pesquisas no acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
Selecione uma imagem para ampliar ou abra o PDF correspondente. Os recortes são apresentados sem reescrever seu conteúdo.
Acervo particular · Emanuel Foglietto Meteorites
Meteorito Putinga na Coleção Emanuel Foglietto
Exemplares do meteorito Putinga pertencentes à coleção Emanuel Foglietto, fotografados sobre reproduções de jornais históricos que noticiaram a queda de 1937.

Arte e memória · Acervo Emanuel Foglietto
Reprodução da pintura da queda do meteorito Putinga, acervo da coleção.

Minha reprodução da pintura que retrata a queda do meteorito de Putinga.
A pintura original foi criada na década de 1970 pela artista brasileira Gisela Schinke, por encomenda de Hardy Grunewaldt — que, aos 12 anos de idade, presenciou a queda do meteorito de Putinga em 1937, estando na cidade de Candelária, RS.
Segundo Grunewaldt, o terreno à esquerda do rio pertence ao município de Estrela, enquanto o terreno à direita pertence ao município de Arroio do Meio. O rio é o Taquari.
Fotografias e memória visual

Fotografia histórica
Fotografia histórica de Putinga em 1939. Acervo de Neuro Gheno.
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A queda retratada em pintura
Pintura atribuída a Gisela Schinke, realizada na década de 1970 por encomenda de Hardy Grunewaldt, testemunha da queda.
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Hardy Grunewaldt
Fotografia de Hardy Grunewaldt, identificada no acervo como sendo da década de 1980.

O meteorito Putinga
Massa do meteorito Putinga de 45 kg, do acervo da PUCRS.
Memória oral · Registro audiovisual
Rosa Secco — Depoimento sobre a queda de Putinga
Depoimento de Rosa Secco sobre suas lembranças da queda do meteorito Putinga, em 16 de agosto de 1937. O vídeo possui legendas em português e áudio tratado para facilitar a compreensão, preservando a voz original.
Crédito do vídeo: YouTube — Zerbielli. Legendas em português incorporadas à imagem; áudio com tratamento leve. Baixar legendas em português (SRT) · Download English subtitles (SRT) (tradução adaptada do texto em português).
Memória oral · Pesquisa de 2004
Testemunhos de Rosa Secco e Fidêncio Marchese
Na pesquisa Quedas de meteoritos: estudo da matéria cósmica que atinge a Terra — O caso de Putinga, Sônia Elisa Marchi Gonzatti reuniu relatos de moradores ligados à queda de 1937. Rosa Secco, então com 94 anos, contou que estava no pátio de casa com vizinhas quando ouviu um grande barulho e viu o clarão. Seu relato menciona a queda de uma pedra em um potreiro próximo, com massa estimada em cerca de 20 kg.
Fidêncio Marchese, filho de José Marchese, também recordou o estrondo e o rastro luminoso. Segundo o relato registrado na pesquisa, um fragmento teria caído no potreiro da família, levantando poeira; a pedra, estimada em cerca de 52 kg, teria sido retirada do solo com ajuda de outras pessoas. As massas aqui mencionadas são estimativas dos testemunhos, não medições independentes.

Rosa Secco
Testemunha da queda. Fotografia publicada na pesquisa de Sônia Elisa Marchi Gonzatti (2004).

Fidêncio Marchese
Fotografia na propriedade da família. Ao fundo, área indicada no relato como local da queda de um fragmento. Fonte: Sônia Elisa Marchi Gonzatti (2004).

Local indicado da queda
Área apontada por Fidêncio Marchese como local da queda de um fragmento. Fotografia de 20 de junho de 2004, conforme a pesquisa de Sônia Gonzatti.
Fonte e créditos das fotografias e dos relatos: Sônia Elisa Marchi Gonzatti, Quedas de meteoritos: estudo da matéria cósmica que atinge a Terra — O caso de Putinga, página hospedada no Instituto de Física da UFRGS (2004). Consultar pesquisa original ↗
Hardy Grunewaldt e a memória de Putinga
Hardy Grunewaldt tinha 12 anos quando presenciou, na região de Candelária (RS), o fenômeno luminoso associado à queda do meteorito Putinga, em 16 de agosto de 1937. A experiência marcou seu interesse pelos meteoritos.
Anos depois, dedicou-se à preservação da história da queda e à busca por informações e fragmentos de Putinga. Em 1963, suas investigações envolveram Hermínio Cé, ligado aos acontecimentos de 1937.
Na década de 1970, Grunewaldt encomendou à artista Gisela Schinke uma pintura que representasse a queda. A composição retrata a paisagem do vale do Rio Taquari, com Estrela à esquerda e Arroio do Meio à direita, conforme seu relato.
Seu interesse pela meteorítica ajudou a manter viva a memória de Putinga e a valorizar o patrimônio científico e histórico associado à queda.
Documento histórico · 17 de agosto de 1982
O relato de Hardy Grunewaldt
Autoria: Hardy Grunewaldt. Publicação: jornal O Informativo, 17/08/1982. Transcrição fornecida pelo colecionador, preservando a redação recebida, inclusive grafias e dados científicos da época.
Ler o texto histórico completo de Hardy Grunewaldt
Eram 16h30min numa límpida e amena tarde de inverno, dia 16 de agosto, 1937. Animada, desenrolava-se a festa em honra ao padroeiro São Roque, na então pacata vila de Putinga, município de Encantado - RS. Improvisamente um forte estrondo, precedido de um trovão, prolongado e ensurdecedor, fez com que todos se entreolhassem surpreendidos e atemorizados.
Que havia acontecido? Queda dum avião? Um raio? Um "fulmine a ciel sereno"? (segundo a expressão italiana). Muitoas foram as hipóteses enquanto logo a seguir o céu obscurecia pela presença de uma nuvem escura decorrente dos efeito de um fenômeno celeste.
Neste preciso momento, o Rio Grande do Sul testemunhava um excepcional e maravilhoso acontecimento: a queda de um meteorito.
No mundo inteiro são raríssimas as pessoas que em toda sua vida tenham presenciado a queda de um corpo extraterreno. Vagando pelo espaço sideral, temos bilhoes de corpos celestes de tamanho e peso variáveis, que circulam em nosso sistema planetário. Os mais comuns são representados pelos meteoros, que nas noites claras nos emocionam quanto subitamente brilham e silenciosamente cruzam o firmamento para logo desaparecerem. Desde os tempos mais recuados, a luminosidade dos meteoros sugeria aos homens primitivos que a esplêndida ocorrência luminosa devia ser uma mensagem dos deuses. Temos a obrigação de lembrar uma sugestão da semântica: o verbo 'considerar' em seu significado originário, quer dizer simplesmente: contemplar as estrelas. Aquelas estrelas que Bilac 'ouvia', num dos mais belos momentos de elevada poesia.
Representam eles os pequenos mensageiros do espaço, cantados desde os primórdios do homem e nada mais representam do que algumas gramas de matéria cósmica, que atraída pelo nosso planeta, penetram a altíssima velocidade (25 a 75 km/s) no manto protetor da terra representado pela atmosfera. Ali ionizam o ar numa altura que varia de 100 a 45 km de altura, produzindo a intensa luminosidade, ao voltar a atmosfera a seu equilíbrio original. Normalmente essas partículas se desintegram e caem sobre a terra em forma de pó interestelar, do qual a terra recebe milhares de toneladas anuais.
O meteorito de PUTINGA nada mais foi do que parte dessa matéria interestelar, cuja massa conseguiu vencer a barreira do ar e lançar-se sobre uma vasta região ao redor de Putinga.
Tamanho foi o fenômeno que pôde ser visualizado a mais de 150 km de distância. o estrondo foi ouvido por moradores dos municípios de soledade, Arroio do Meio, Lajeado, Estrela e Bom retiro. A queda foi observada pelo autor, da cidade de Candelária. Frações de segundos foram suficientes para que na trajetória daqueda uma cauda de fumaça de uns 15 km se formasse e permanecesse visível até o anoitecer daquele límpido céu de inverno.
Passadas as primeiras emoções as hipóteses sobre o acontecimento foram surgindo. As circunstâncias do súbito estrondo, acompanhado pela intensa fumaça pardacenta que encobriu Putinga e arredores, não deixava dúvidas sobre o raro fenômeno celeste: a queda dum meteorito.
O doutor Vicenzo Guaragna, médico italiano ali domiciliado, foi taxativo: 'isto só pode ter sido um meteorito", opinião acompanhada pelo pároco Domingos Carlino. Mais tarde apareceram as primeiras testemunhas oculares que imformaram terem visto pedaços de pedra caindo do céu, projetando-se nas propriedades dos senhores José Marchese, Antonio Noatto, José Secco e outros.
Sob a iniciativa do então subprefeito dePutinga, Hermínio Cé, hoje residente em Arroio do Meio, iniciou-se, no dia seguinte, a procura das pedras, tendo sido desenterradas, na propriedade de José Marchese, os maiores pedaços, encravados no solo, numa profundidade de até dois metros. A precipitação de milhares de fragmentos menores atingiu também Ilópolis e parte do município de Soledade, onde posteriormente muitíssimos fragmentos foram recolhidos pela população.
É interessante acrescentar que explosão de um meteorito geralmente se verifica a grande altura, entre 10 a 30 mil metros, enquanto o fenômeno luminoso só se faz presente entre os 45 a 100 mil metros.
O interesse despertado na época empolgou todo o território gaúcho. o Diário de Notícias destacou um repórter que colheu os primeiros informes publicados com destaque nos dias 18 e 19 de agosto de 1937. O então prefeito, Demétrio Costi, fez chegar a Porto Alegre dois fragmentos de aproximadamente 45 a 55 kg, que ficaram expostos no saguão do jornal, em frente da atual Praça da Alfândega.
Com o passar dos anos o importante acontecimento cósmico entrou no esquecimento, embora muitas das antigas testemunhas oculares, ainda lembram com emoção "a pedra que caiu do céu".
Cálculos superficiais deixam entrever que o meteorito de PUTINGA é um aerolito condrítico, foi o maior que se tem notícia entre os caídos em terras brasileiras. Dos aproximados 200 kg colhidos pela população local, supõe-se que mais de 1000 kg devem ainda estar espalhados em milhares de pequenos fragmentos num grande raio ao redor da cidade de Putinga.
Os extensos pinheirais e as verdejantes matas que cobriam, naquela época, toda aquela região devem ainda hoje guardar no seu seio, o que não foi encontrado na época da queda. Dificilmente poderiam ser hoje reconhecidos, pois a oxidação atmosférica, chuvas eventos tende alterar as características exteriores, que com o tempo, no caso do meteorito de Putinga, adquirem um aspecto de pedra granítica.
Há recém dois séculos que a ciência oficial reconhece que pedras possam cair do céu. A explosão idêntica de um meteorito que no ano 1803 se dividiu em milhares de fragmentos na região francesa de Laigle (Orne), demonstrou aos cientistas incrédulos que a chuva de materiais vindos do céu não era ilusão popular. Muitos séculos antes, artesãos usavam já material celeste para fabricação de utensílios cotidianos.
Desejamos aqui lembrar e expressar nosso reconhecimento ao Hermínio Cé, que há vinte anos, nos acompanhou aos lugares da queda do meteorito, fornecendo-nos alguns fragmentos que puderam ser enviados a várias instituições científicas mundiais paraseu estudo e conservação, contribuindo desse modo para o patrimônio científico da ciência cósmica. Foram assim, aquinhoados o British Museum de Londres, que em seu catálogo sobre os "Meteoritos Mundiais" em 1964 fez constar em suas páginas "O PUTINGA", com o primeiro estudo pormenorizado, feito por Mosse Hey. Outros fragmentos encontram-seno Rio de Janeiro (Museu Nacional), em Nova York, Washington, Passadena (Califórnia), Roma, Hamburgo e Munique.
Das duas peças originais que vieram a Porto Alegre, uma de 45 kg encontra-se no Museu de Geologia, prof. L. Englert, em POA, da otura não temos notícias.
Putinga é hoje conhecida no mundo científico que se dedica ao estudo do cosmos. Dezenas de análises e publicações têm aparecido na Europa e USA, ajudando a ampliar os conhecimentos científicos a respeito dos meteoritos. Seu número certamente irá crescendo, pois a curiosidade de saber algo a respeito do infinito que nos cerca, nunca encontrará um ponto final.
Nota editorial: números, explicações científicas e estimativas deste artigo refletem o texto histórico de 1982 e não são apresentados como medições científicas atuais.
Documentos e pesquisas
Documento identificado no arquivo como publicação da Prefeitura de Putinga.
Consultar documento em PDF ↗Fonte indicada para a pesquisa histórica.
Visitar a página original da UFRGS ↗Fontes e créditos
Jornais históricos e reproduções digitais: materiais reunidos no acervo Emanuel Foglietto Meteorites. Os créditos editoriais de cada jornal são indicados junto aos documentos; instituições detentoras dos originais e direitos de reprodução ainda serão identificados.
Pintura histórica: Gisela Schinke. Relato associado à obra: Hardy Grunewaldt. Pesquisa, entrevistas e fotografias de 2004: Sônia Elisa Marchi Gonzatti, Quedas de meteoritos: estudo da matéria cósmica que atinge a Terra — O caso de Putinga, Instituto de Física da UFRGS. Artigo histórico: Hardy Grunewaldt, O Informativo, 17 de agosto de 1982. Documento municipal: História de Putinga (2022), identificado como da Prefeitura de Putinga.
Os materiais históricos permanecem identificados como originais ou reproduções. Versões alteradas por inteligência artificial não são apresentadas como documentos originais.




